Viação Férrea deve ser entregue em agosto
Devido à complexidade das obras,
o prazo para sua entrega foi
esticado em três meses
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| Foto: Moizés Vasconcellos - DP |
Em maio do ano passado, o prefeito Adolfo Antonio Fetter e a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/RS) assinaram o Termo de Cessão do imóvel ao Município. Avaliado em 2,67 milhões - montante que inclui a contrapartida de R$ 400 mil do Poder Executivo e a verba de R$ 1,67 milhão, advinda do Ministério Público Federal -, o projeto de restauro da Estação vai permitir a instalação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Macrorregião Sul (Cerest), do Procon de Pelotas e do Memorial da Rede Ferroviária Federal.
O recurso do MP tem origem em autuação de uma empresa, feita em conjunto com o Procon, e do Cerest, cuja parcela de R$ 600 mil foi aprovada pelo grupo gestor. Para destinar o capital, o Ministério priorizou uma prefeitura que tivesse elaborado planos de ampliação e qualificação do órgão de defesa do consumidor. Segundo o procurador da República, Mauro Cichowiski dos Santos, que oficializou o repasse no ano passado, a parceria com o Poder Público municipal contempla diretamente a população de Pelotas. “Além disso, não estamos ajudando a reformar um prédio e, sim, uma valiosa obra de arte”, acrescentou o procurador.
Com a meta de concretizar a recuperação do edifício, após décadas de abandono, que resultou no péssimo estado de conservação herdado pelo governo atual, o prefeito delegou ao secretário de Gestão Urbana (SGU), Luciano Oleiro, a tarefa de comandar a elaboração do projeto técnico. A revitalização seguirá o planejamento da equipe da SGU, que abrange intervenções arquitetônica, elétrica, hidrossanitária, lógica (destinada à instalação de redes de computadores) e para prevenção contra incêndios. Não somente a alvenaria, mas as aberturas em madeira também passarão por reparos minuciosos e específicos.
“Faz parte do programa estratégico da gestão do prefeito Fetter a renovação e a conservação da memória de Pelotas, simultaneamente à melhoria da prestação dos serviços públicos à comunidade”, enfatiza o secretário de Cultura, Ulisses Nornberg. Para o titular da pasta municipal, a ação da Prefeitura possui grande relevância nos cenários estadual e nacional de preservação da história ferroviária. Superintendente de Cultura do órgão, Mogar Pagana Xavier destaca a prioridade da gestão atual de revitalizar o prédio, tombado pela Lei Municipal nº 4.315 de 22 de setembro de 1998 e inventariado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphe).
A ESTAÇÃO FÉRREA DE PELOTAS – LARGO DE PORTUGAL (1884)
Com a implantação da linha ferroviária Rio Grande-Pelotas-Bagé, compondo o tripé econômico “porto-charque-gado”, em 1884, os três municípios passaram a contar com belas e amplas estações. A de Pelotas, localizada no Largo de Portugal, dispunha de um salão principal com bilheteria e acesso ao pátio de trens. O imóvel, que possui 15 cômodos e um andar superior, foi erguido com três portas centrais, marquise de vidro, platibanda com balaústres de cimento e frontão central trabalhado.
Na década de 30, foram construídas duas laterais com porta e janelas, iguais para cada lado. A plataforma de embarque e desembarque é protegida por longa cobertura, estruturada a partir de "mãos-francesas" de ferro. Retirados do prédio, o sino e o relógio, com duas faces, uma para dentro do saguão e outra para o embarque, constituíram-se em importantes elementos da história de Pelotas. A via férrea foi, no final do século XIX, uma alavanca do desenvolvimento urbano do município: a criação de uma rede viária capaz de ligar a estação aos outros bairros impulsionou o crescimento na direção do “largo da estação”.
Fonte: Osiris Reis - Diário Popular




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