Nova diretora fala nos desafios que tem pela frente

Em uma conversa sem panos quentes, ela falou no desafio de se envolver no processo para o PSP funcionar como referência à urgência e à emergência










Três dias depois de assumir a direção do Pronto-Socorro dePelotas (PSP), a médica Mônica Mendes, de 41 anos, ainda divide as funções administrativas com a linha de frente como plantonista da unidade onde trabalha desde 1996. No final da manhã de sexta-feira (11), a também professora da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) - pertencente ao Núcleo de Saúde Coletiva - encontrou espaço na agenda para conceder entrevista ao Diário Popular. Em uma conversa sem panos quentes, ela falou no desafio de se envolver no processo para o PSP funcionar como referência à urgência e à emergência. Apenas. Agora, as estatísticas se mantêm: entre 60% e 70% dos pacientes não deveriam estar ali. São casos para Pronto Atendimento ou Unidades Básicas.

Neste começo de 2013, uma outra situação também requer atenção: o tempo de espera até o encaminhamento aos hospitais voltou a crescer. Está oscilando entre sete e oito dias, isto é, uma média de pelo menos uma semana de expectativa e revolta, muitas vezes. Um quadro que transforma o Pronto-Socorro - originalmente como local de passagem - em lugar para internação, tratamento e alta. Um equívoco. "O PS, se restrito apenas à urgência e à emergência, funciona bem", sustenta a diretora. "O que não funciona é a retaguarda", reitera, com a propriedade de quem já ouviu milhares de desabafos ao longo dos últimos 16 anos, em meio a pacientes, familiares e corredores lotados.

A ampliação do Pronto-Socorro, por exemplo, não será defendida; ao menos neste primeiro momento. Ela admite. Em reuniões com a secretária de Saúde, Arita Bergmann, e com o prefeito Eduardo Leite (PSDB), Mônica Mendes já elencou as duas prioridades que gostaria de ver atendidas. As duas ficam do lado de fora da instituição por onde passam cerca de 300 pessoas por dia. A qualificação da rede básica e o aumento do número de leitos hospitalares contratualizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Duas medidas que irão refletir diretamente no PSP.


Os caminhos até desafogar

A prefeitura já abriu processo seletivo para admissão de 40 médicos plantonistas, em regime de contrato administrativo. Os profissionais devem suprir parte do déficit da rede, que é esmiuçada em números em um diagnóstico realizado pela Secretaria de Saúde. Os interessados devem fazer inscrição e entregar currículo até terça-feira, no setor de Supervisão de Protocolo e Arquivo Geral da Secretaria de Gestão Administrativa e Financeira, na rua General Osório, 918, das 8h às 13h. São meios para encurtar o sofrimento de quem, não raro, recorre ao posto de saúde e se depara com cartazes "Médico em férias". O caminho, claro, apontará ao Pronto-Socorro.

A contratação imediata de mais 51 leitos de clínica médica - que atingiria um total de 266 - também permanece na pauta como uma das saídas para qualificar o PSP. No final deste mês, Eduardo Leite deve aproveitar a visita a Brasília, no encontro de prefeitos, para solicitar a liberação do projeto, já aprovado pelo Ministério da Saúde. A proposta, que integra a Rede Regional de Atenção às Urgências, prevê incremento de recursos.

Atualmente, os hospitais recebem R$ 100,00, por dia, por paciente. Com a portaria 2.395, o governo federal passará a pagar a diária de R$ 300,00 a cada novo leito de clínica médica disponibilizado ao SUS, além do incentivo de R$ 200,00, por dia, à qualificação de leitos antigos; na relação de um por um. A cada nova vaga criada, a instituição ganhará o plus na verba de um leito já existente.

As portas de entrada 24 horas a pacientes de urgência também estarão aptas a receber o aporte financeiro de R$ 300 mil, por mês, para custeio. É mais um reflexo direto no PSP. Como oficialmente a unidade não é um hospital - embora muitas vezes ocupe esse papel - não pode receber por Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Resultado: opera, muitas vezes, próximo do vermelho - afirma a nova diretora.


O percurso até as UPAs

Os projetos para construção das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), porte um - no bairro Areal - e porte três - no prolongamento da avenida Bento Gonçalves - já estão prontos e aprovados por órgãos, como a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros. A fase é de reavaliação de orçamentos para, ainda neste primeiro semestre, ser publicado o edital que irá definir a empresa responsável pelas obras.

"Estamos avaliando se tocaremos os dois projetos simultaneamente ou não. Dependerá da disponibilidade de verba", explica a secretária Arita Bergmann. "Pela cronologia, temos obrigação de construir primeiro a UPA 3", ressalta. São projetos que a comunidade clama por ver concretizados. No caso da UPA 3, os debates quanto ao local e as negociações para gestão compartilhada iniciaram ainda em 2010. Uma espera que parece estar mais próximo de chegar ao fim, para o alívio de quem depende da saúde pública. Ou seja, a maioria da população.

A UPA será uma estrutura pré-hospitalar, com plantão 24 horas, dirigida a casos de média complexidade e contará com aparelho de raios X, laboratório, atendimento odontológico e rede de oxigênio, além da capacidade de acomodar até 16 pessoas em observação; quatro crianças. O investimento federal será de R$ 2,6 milhões, afora a contrapartida do município, que deverá recorrer aos cofres do Estado em busca de recursos - afirma Arita.


Pequenos reforços de pessoal

Pelotense, de 41 anos, defende a importância
de a retaguarda funcionar melhor
Foto: Roberto Dias - Diário Popular
A equipe médica do Pronto-Socorro de Pelotas está praticamente completa. Falta um clínico geral - de um total de 16 - e três pediatras para fechar o grupo de 16, afora as outras especialidades, como os dez cirurgiões. "Apesar de termos algumas pessoas a menos, não temos nenhum furo na escala. Os que estão aqui estão suprindo os horários", garantiu a diretora Mônica Mendes.

Ligada à saúde pública durante toda a carreira, a ex-integrante das primeiras equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e também médica de Unidades Básicas, reforça ao Diário Popular o que tem repetido aos acadêmicos, como em apelo que se dediquem à atenção primária. "Os atendimentos ambulatoriais são a grande demanda. Precisamos formar alunos que queiram atuar no programa Saúde da Família e nas Unidades Básicas", reiterou, convicta.

Fonte: Reportagem de Michele Ferreira, Diário Popular




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