Tragédia, vistorias e interdições: como ficou Pelotas em pleno Carnaval?


Decisões de segurança que deveriam ter sido tomadas anteriormente, atrapalham o carnaval, verão e noite pelotense




Para se ter um pensamento crítico, antes de tudo, é preciso analisar os fatos. De forma imparcial, procurando ater-se ao detalhes e entrelinhas. O incêndio na Boate Kiss, que vitimou mais de 230 jovens em Santa Maria, no dia 27 de janeiro, se refletiu de modo impactante aqui em Pelotas. Não apenas pela comoção geral, mas pela forma como as autoridades locais resolveram agir em relação às casas noturnas na cidade de Pelotas. 


Uma vistoria geral pelas boates seria uma atitude mais do que normal depois da tragédia, já que a mesma ocorreu por uma combinação de irregularidades e irresponsabilidades. E foi o que aconteceu em todo o estado, já no início de fevereiro. 


Porém, a fiscalização que foi tão rígida quanto surpreendente, se estendeu por outras modalidades de eventos de público numeroso. E mais: rígida, surpreendente, e de última hora! Mas, como eu disse, vamos acompanhar os fatos antes de analisarmos melhor o caso.


Pauta site da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 05 de fevereiro







Pauta site da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 05 de fevereiro














































Pauta site da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 07 de fevereiro
























Pauta no Diário Popular, dia 08 de janeiro
















Pauta no Diário Popular, dia 08 de janeiro









Pauta no site oficial da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 08 de fevereiro










































Pauta no site oficial da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 08 de fevereiro 







Pauta no site oficial da Prefeitura Municipal de Pelotas, dia 08 de fevereiro
























Pauta site Prefeitura Municipal de Pelotas, 09 de fevereiro













































Até o momento, estas são as notícias que fazem parte do assunto. 





Sobre as interdições

Perguntamos de forma direta, aos órgãos responsáveis: sendo Pelotas uma cidade reconhecida pela sua noite, com diversas opções de casas noturnas e também uma cidade de grande público jovem universitário, por que somente após a tragédia de Santa Maria foi realizada um força-tarefa para fiscalização e interdição? 


Da mesma forma que nos questionamos por que não houve uma fiscalização mais efetiva em relação a todos os itens de segurança e documentações necessárias também lá em Santa Maria, antes que o pior tivesse acontecido. 


Sabemos que a Prefeitura Municipal de Pelotas quer evitar que o mesmo ocorra em nossa cidade, ou talvez em proporções até maiores, dependendo do local e público. 


No começo deste processo de fiscalização, o HiperSocial divulgou pauta onde uma das casas acima, agora apontada como interditada, não teria recebido a necessidade de interdição já que, segundo o seu proprietário, “a casa não foi projetada para grande público e, por isso, não apresenta maiores perigos aos seus freqüentadores.” 


Então, podemos deixar morrer entre 50 e 100 pessoas, mas acima de 200, não? Supondo que seja esta a capacidade da casa. Dias depois, o poder público voltou àquela casa, que já tinha sido visitada, e a interditou. A menos que haja uma boa explicação para o fato, nota-se aí uma falta de coerência e organização. 


Dias após a própria prefeitura divulgar os eventos que fariam parte do Projeto Verão 2013 (vide nossas postagens), o evento é cancelado por vários motivos ligados à segurança pública. Com isso, nosso verão será mais silencioso e menos divertido. Atrações musicais variadas deixarão de se apresentar de forma gratuita nas areias da Praia do Laranjal, o que divertiria não somente a população local, mas aos turistas que nos visitam. A exemplo do nosso reconhecido Carnaval de Salão, onde clubes de renomes também tiveram seus salões proibidos de receberem o grande público. 


Em menos de 15 dias, várias interdições e proibições. Tudo em nome da segurança pública, o que com certeza é louvável e necessário. Porém, novamente perguntamos: por que estas fiscalizações não foram feitas anteriormente? De forma constante e agressiva durante todo o ano de 2012? 


Hoje teríamos um carnaval completo e um verão mais cultural. A população pelotense perde em muito com esta falta de organização e objetivo em preocupar-se com o bem comum: que se por um lado, de forma óbvia consta a preocupação com a segurança física, também não devemos deixar de lado a necessidade do lazer como parte da saúde. 


Não estamos agindo em cima do medo generalizado pós 27 de janeiro? Querendo agora mostrar o serviço que há muito deveria ter sido realizado? Se as denúncias públicas houveram, foi que por durante os anos anteriores, estas casas realmente ofereceram perigo aos seus frequentadores. Cabe a população em geral, da mesma forma, não se preocupar apenas agora, mas que sirva de exemplo para todo o sempre. 






Boates x clubes sociais
Por Ivan Vaz





Há regras básicas para tornar as baladas mais seguras:

Respeitar a capacidade máxima: ambientes superlotados causam tumultos e agravam momentos de crise.
Brigada de incêndio treinada: numa emergência, é preciso ter equipe apta a agir rapidamente.
Regras de funcionamento: os revestimentos utilizados não podem ser inflamáveis, artefatos pirotécnicos são inadequados para locais fechados, reformas têm de ser informadas e autorizadas pelos órgãos competentes.
Portas: locais de grande aglomeração devem ter mais de uma rota de fuga, sinalizada e desobstruída, como nos cinemas.
Equipamento: extintores visíveis e funcionando e luzes de emergência que orientem a saída do público são essenciais.
Pagamento: é preciso extinguir a comanda, essa excrescência brasileira. É bom para o empresário, pois a pessoa tende a consumir sem se dar conta exatamente da fatura e agiliza o atendimento. Mas é algo desastroso em situações de pânico. Segundos preciosos foram perdidos porque os seguranças da boate Kiss barraram a saída, pois acreditavam que o corre-corre se devia a uma briga e o público daria o calote. Cada um tem de pagar à medida que consumir. Quem acha inconveniente ir ao caixa toda hora, que compre vários tíquetes de uma vez.
Fiscalização: prefeituras e bombeiros têm de fiscalizar continuamente esses locais de grandes aglomerações. Se houver irregularidades, a casa deve ser lacrada até sanar o problema. 


Penso que não podemos tratar os diferentes com igualdade, pois os Clubes Sociais de Pelotas, não são casas noturnas e, no entanto não fazem grandes aglomerações como, por exemplo, o concurso de fantasias de carnaval e no caso específico do Clube Caixeral, está impedido por não podermos mudar o sentido de abertura das portas de acordo com fluxo de fuga (dentro para fora) por ser um prédio inventariado pelo patrimônio histórico. Salientamos ainda que o restante possuímos para prevenção de incêndios.

Ivan Vaz
Diretor Social do Clube Caixeral de Pelotas 
Colunista HiperSocial Pelotas




Preocupação em cima da hora
Por Ana Paula Dias

Acima, vimos o depoimento do nosso colaborador do HiperSocial, Ivan Vaz, que com sua coluna "Ecologia Urbana", vem agregando grande valor ao nosso empreendimento.
Ivan Vaz se manifesta desta vez como direito social de um dos clubes mais tradicionais de Pelotas, o Caixeral. Quem nunca foi há algum evento em seu salão imponente, na Rua Padre Anchieta, esquina com Praça Cel Pedro Osório? Lembrando que a entrada social do mesmo é justamente pela praça. Visitei as dependências inúmeras vezes, entre formaturas e afins. Mas, com certeza o que mais chama a atenção, foi uma festa jovem de grande sucesso na década de 90.

O "Sai Capeta" era organizando por cada turma de formandos do curso de Eletrônica do IFSul, na época ainda ETFPel. Estas festas eram lotadíssimas, tamanho era o sucesso e a expectativa entre a garotada. Todos os salões do clube ficavam apinhados de gente, sem contar nos que ficavam de fora sem poder entrar, curtindo o som e as pessoas. Como eu disse, o ano foi entre 1994 e 1996, e até onde eu soube, não houveram incidentes maiores.

Mas, com certeza, nunca soubemos de fiscalização por parte de qualquer órgão público quanto a capacidade do local e equipamentos. Bom, para ser bem sincera, sou do tempo em que nós, adolescentes, ainda nos comportávamos de tal maneira que podíamos sim frequentar festas mesmo não tendo atingindo 18 anos. Se hoje, os menores não podem mais ir, algo no comportamento mudou radicalmente através dos tempos. Do mesmo modo que o limite de álcool no sangue chegou ao ponto de se instituir a Lei Seca no país, já que os poucos que bebem demais e assassinam no trânsito, fazem com que os motoristas que bebiam de forma consciente e responsável, terem de abrir mão se quer de um copo de chopp quando dirige.

Não estou questionando nenhuma das leis implantadas. Mas preciso deixar claro que, se elas foram criadas com tal rigor, é por que de algum modo, passamos do ponto quando perdemos nossa responsabilidade e consequentemente, nossa liberdade.

Ainda no assunto dos clubes sociais, passei minha adolescência curtindo os ótimos bailes de salão do Clube Esportivo Gonzaga. Quero relembrar aos leitores um fato que eu mesma presenciei.

O salão social do clube tem sua lateral esquerda voltada para as piscinas. Nesta lateral, havia uma sacada, onde os foliões iam se refrescar com o ar da noite. A própria sacada, com o acúmulo de pessoas, não oferecia a estrutura adequada. Como eu sei disso? Simples! Funcionários da casa eram orientados a colocar escoras de madeira por toda a extensão da mesma. Inúmeras, de ponta a ponta.

Com o intuito de receber um público maior e oferecer atrações diversificadas para o público, o Clube passou a oferecer uma roda de pagode na parte abaixo do salão, na rua, próximo a piscina. Para que o público pagante pudesse se locomover até esta segunda opção de entretenimento, foi construída uma rampa de acesso entre a sacada do salão e o hall da piscina. Uma rampa simples, móvel, feita de metal. Até oferecia uma segurança moderada para quem trafegava por ela, subindo para o salão onde tocavam os sambas enredo, ou descendo para a roda de pagode.

Porém, com a lotação máxima alcançada, a rampa também recebeu um número excessivo de pessoas. A tal ponto de ceder suas estruturas e cair diretamente no chão, com todos os que estavam em cima trafegando, junto com ela.

Por sorte, muita sorte, quem estava embaixo tinha saído momentos antes. Sim, por que a parte debaixo da rampa não havia sido fechada ao público. Entre alguns feridos e muito susto, lembro que uma moça teve a perna quebrada e  precisou ser internada para tratamento cirúrgico.

Não estou criticando a direção do clube, nem a daquele ano, nem a atual. Mas, pergunto sim, onde estava o poder público quando permitiu que este tipo de fato ocorre-se? Esta rampa oferecia segurança para o uso? Quem definiu que ela poderia ser usada?

O grande fato que quero ressaltar, mesmo citando ocasiões anteriores, é que o poder público só faz algo para nossa segurança, depois que a grande tragédia acontece. Percebam o número de casas noturnas com situação irregular! Elas estavam todas funcionando anteriormente, quiçá por anos a fio sem nenhuma fiscalização. Agora, por medo e tentativa de mostrar serviço, o poder público fecha as portas de todos os clubes sociais?

Clubes sociais não são casas noturnas! Eles funcionam de modo diferente, recebem um público bem menor. Todo clube social sabe que seu auge de arrecadação é no Carnaval, época em que não recebe apenas os associados.

O que aconteceu em Pelotas, após o 27 de janeiro?

Leiam as matérias postadas acima e me respondam se eu estiver errada. Com a tentativa de evitar uma nova catástrofe, o governo organizou uma força-tarefa que saiu fechando todos os estabelecimentos irregulares. Isso é ótimo! Parabéns! Mas por que não fizeram isso antes? Por que não o fazem sempre?

E por que interditaram os clubes sociais dias antes de seus bailes? Se a própria tragédia que fez o governo se mexer em relação a segurança das aglomerações, ocorreu há semanas atrás.

Estas questões não serão respondidas, pessoal. Assim como muitas que nos veem a mente e ficam sem resposta, aumentando nossa indignação. 

Já que teremos um Carnaval com menos folia e uma noite pelotense quase inerte, peço as autoridades: REFORCEM O POLICIAMENTO EXTENSIVO NA PASSARELA DO SAMBA E ARREDORES!

Todos os anos, sabemos de casos de homicídio a sangue frio. Virou quase uma (péssima) tradição. Sair para pular o Carnaval de rua, pode ser sim uma tragédia anunciada, mas que perfeitamente poderá ser evitada. Mais fiscalização da guarda municipal com os motoristas imprudentes! Que todo o poder municipário, juntamente com órgão como Bombeiros, Brigada Militar e Polícia Civil, trabalhe intensamente neste feriado. Se a ordem do dia é prevenir, que seja prevenido o que infelizmente acaba ocorrendo em todos os meses de fevereiro: derramamento de sangue e culpados que jamais serão responsabilizados.

E que cumpra-se e lei sempre! Saliento que ela deve ser efetivada o ano inteiro, há qualquer tempo.


Ana Paula Dias
Idealizadora e Editora
HiperSocial Pelotas

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2 comentários:

  1. Eu acho que tava mais do que na hora dessas fiscalizações acontecerem... Poderia ter sido eu lá dentro daquela festa... Deus me livre... Só espero que re-abram as festas logo já com tudo em dia.

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  2. Levando em conta os últimos acontecimentos, denota-se a necessidade de uma análise mais criteriosa sobre a Lei municipal que institui o Código de Prevenção contra Incêndio, criada em 1994, para que possamos entender o porque de uma fiscalização com autuações em vários clubes sociais e locais de diversão ( local de reunião de clube conforme a ABNT-NBR 9077 ) de Pelotas, somente agora, após a tragédia ocorrida em Santa Maria.
    Conforme estabelece a Lei, evidencia-se a necessidade de sua aplicação, e para isto, também todos os aspectos envolvidos nesta, como a proteção construtiva, meios de alerta, rotas de fuga, meios de combate a incêndio e adestramento de brigadas de incêndio.
    Atualmente se institui uma gestão de governo organizado através de secretarias que atendem diferentes demandas no contexto em que estão inseridas, é nesta organização que esta Lei caracteriza-se, pois estará atendendo todas as necessidades para garantir a saúde e a segurança pública. Então por que não é cumprida?
    Onde estão os responsáveis pela sua aplicação?
    Será que todos os envolvidos conhecem seu conteúdo?
    Acredito que no conjunto das atribuições definidas a um grupo de gestores, caberá também conhecer as legislações, normatizações, portarias e outros de seu município, para embasar as ações que venham a garantir seu cumprimento para que a população não seja “pega” de surpresa ou que evitem tragédias anunciadas, justamente pelo desconhecimento ou omissão dos seus responsáveis.
    Acredito que seja necessário , através do Planejamento Estratégico de Governo, a criação de uma comissão responsável por um estudo profundo da nossa Legislação para que seja aplicada e se necessário adequar-se as novas demandas e assim possibilitar que os responsáveis tenham conhecimento de causa para decidir sobre qual a melhor solução para a situação que surge.
    O município conta com diversas organizações de apoio ( Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Federal, Ministério do Trabalho e Emprego e outros ) além de órgãos municipais constituídos por secretarias, entre estes a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil que tem seu papel principal, a defesa do cidadão e a prevenção de riscos e portanto é uma organização que precisa também estar presente na gestão para que esta possa ser o elo de ligação, atingindo todos os locais através de seus núcleos com ações de conscientização, prevenção e mobilização.
    A Defesa Civil do nosso município é formada por uma Coordenadoria e 08 Núcleos Urbanos compostos por pessoas voluntárias que podem contribuir muito para as ações de prevenção e controle de riscos, mas é preciso que estes núcleos sejam informados das situações que estão ocorrendo, pois se entenderem que podem resolver situações da comunidade sem a participação dos seus representantes junto a esta Coordenadoria incorreram num erro grave que poderá levar a consequências desastrosas.
    Para finalizar, penso que ações isoladas serão ações paliativas e que a partir de agora, por acreditar nesta nova Gestão , devemos somar forças embasados pelas legislações e trabalhar para que todos tenham seus direitos garantidos.

    Vladimir Torma
    Téc. Segurança do Trabalho/ Bombeiro Profissional Civil/Presidente do NUDEC Centro Pelotas

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